quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Reciclo.

As folhas que suicidas ao vento 
se servem ao solo,
num cálculo exato de reutilizar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tempero



Estou garimpando palavras pra te dizer o que sinto,
mas creio ser a mescla da perda
com uma pitada do sentimento de nunca ter tido.

Onde já se view tanto touch?

Óculos escuros
em pleno elevador.
- Não há um céu!
Mas você há que relevar!
- cadê o sol?
A vida é simples
e de tão moderna insensatez!
Um auditório em ascensão
vou te dizer,
como é que anda,
What’s up? MSN, SMS
a inversão, 
contradição!
Atrás das telas
revolucionam,
e emocionam,
com aparência de bem feitor.
É tanta tecnologia, 
de tando view 
e tanto touch, 
que a gente se afasta, 
não se vê, 
e nem se toca.
O mundo que encerra
o pensamento
e a vida própria,
caduca em alçar vôos
se perdendo em trilhas tortas.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Dúvidas?


Prefiro às duvidas as frágeis certezas,
quando caminho calado e sem blusa ao relento,
meu corpo cansado deriva no tempo
só restando uma dúvida até o momento:
Se eu sou para-brisa ou um cata-vento.
Minto pra vida sobre o que me apraz,
por ora, sinto vergonha do que a mente produz,
quando “ser ou não ser “já é “tanto faz”.
Procuro no outro o sentido da vida,
e o encontro da verdade,
acordado em opostos,
é que nem tudo que é ouro reluz.
Busco palavras para tirar uma dor,
enrugo a testa e enxergo melhor,
seus olhos castanhos indefesos no sol.
procuro rimas e me sobra o amor,
sua boca se cala diante do gesto,
não é nada demais ou qualquer manifesto,
era só o momento de se omitir,
daquilo que a cabeça ousava dizer.
Como se o que fosse dito
sem qualquer maldade,
pudesse desintegrar 
o tal sentimento de felicidade,
de forma sutil e com extrema facilidade.
É como acender um incenso para perfumar,
a casa, o tempo e a vista lunar,
e em presença de gás ver tudo explodir,
a vida, a sorte e o seu existir.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Clarear.


Você sabe a sensação,
de encher a cabeça de sonhos
E a sua boca inundar sem ter muito que dizer?
Essa coisa que é como uma sede insistente,
uma vontade que só existe,
mas que não é de saciar.
Em meio sonho,
dentro da vida,
um muito tudo que é a vontade de te encontrar.
Eu olho o mundo,
e Deus do céu
como é que pode
vê-la bonita em todo lugar?
Qualquer coisa dita
- que venha chuva!
aves aflitas,
sombras bonitas,
tenho a vontade de clarear.
Ter as dúvidas dessas respostas todas,
tendo certezas tão controversas
eu tenho tudo concatenado,
mas não há o que explicar.
Gasto os meus sonhos,
meus planos todos,
o tempo pouco,
sem nem saber o que virá.
Eu faço rimas
e as detesto,
como num gesto de renegar
o lirismo tolo,
em tom bonito,
que tem cadência,
mas foi banido,
que mesmo os bobos sabem usar.
E os bandidos
vem explicar,
o que é que faz,
quem foi que fez,
por onde entrou
tentou levar.
Nem mesmo isso
eu sou capaz,
não há história,
não sei que digo,
vou escrevendo
pra não dizer,
não sei o que,
poema rouco,
que vem da réstia
falar de amor,
não há que amar,
não quer autor
quer clarear.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

De sorte, do amor e da morte.


Olhando o mundo depressa
assim, por cima e relance
eu vi o juntar dos seus lábios
escondendo os dentes por via
das dúvidas que eu lhe causara.
Pensava, talvez, quem eu era,
Pensava, talvez, de onde vim,
ruminando não sei o que era,
se nem mesmo em terra me visse,
e sem juízo, então, me encontrava.
E de encontro ao meu desengano,
vi seu olhar tão calado
queria de ti um sinal
e longínquo, talvez, um afago.
Um aceno, quem sabe – Obrigado!
Escutei e encolhidos os braços,
que tremiam sem se mover um pedaço,
esquivos de qualquer manifesto
tensos de nervo e cuidado.
Encontrei-me trôpego na cena
e então eu sai foi de lado,
sem saber o que havia ocorrido.
Minhas pernas tinham o peso das penas
que o vento havia planado.
Era a minha solidão que havia morrido
ou o amor que havia me matado?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Circulando.

A eternidade do carnaval passou,
Colombinas, pierrôs e incendiários estão sentados na sarjeta.
O velho retrato das serpentinas desenroladas que agora derivam no vento,
E os confetes que antes faziam parte de uma chuva de esplendor,
Agora compõe esta alegoria solitária do fim de todo carnaval.
Um tamborim ainda soa afastando-se do que restou do bloco,
O som vai minguando e dobra a esquina.
Brasil está repleto, acordado e completo.
O ano começou quando acabou o carnaval.